Laureano & Medeiros Advogados

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união estável empresário

Alguns empresários que vivem uma união estável não têm qualquer proteção patrimonial. Muitos só percebem o risco quando já perderam parte considerável do seu patrimônio. Os riscos da união estável para empresário são silenciosos e é seu dever aprender mais sobre para tomar suas próximas decisões

Aqui você aprende como proteger o patrimônio que levou anos para construir

Por que a união estável é mais arriscada para empresários do que o casamento?

O risco união estável empresário é maior quando a união nasce sem formalidade, pois aplica-se automaticamente o regime de comunhão parcial de bens, mesmo quando o empresário nunca escolheu isso, sem o planejamento necessário.

O perigo aumenta com o reconhecimento retroativo: o Judiciário pode entender que a união começou anos antes, incluindo bens, lucros e até quotas empresariais na divisão, ainda que o empresário não tenha visto a relação como uma entidade familiar, por exemplo, “não pensar em casar”.

A outra parte pode ter direito à partilha sem ter investido na empresa. Basta comprovar convivência pública com intenção de formar família anteriormente à aquisição ou criação das cotas empresariais.

Em decisão do STJ, uma união estável foi reconhecida mesmo sem contrato, contas conjuntas ou formalização. O resultado foi a inclusão de quotas empresariais na partilha.

Os principais riscos da união estável para o empresário

A Lei presume que quando há entidade familiar em regime de comunhão parcial de bens, tudo que é adquirido durante o tempo da convivência possui presunção de meação (divisão da metade), ou seja, o que é comprado “junto” (na variável temporal)… é dos dois!

Comunicação retroativa de bens

Se a Justiça reconhecer que a união começou anos antes: isso coloca lucros, bens e quotas adquiridos no período dentro da partilha. É retroativo, é rápido e pega o empresário de surpresa.

Quando a outra parte vira “sócio” sem nunca ter investido

Mesmo sem aporte financeiro, a outra parte pode ter direito a adentrar na cotas empresariais e a empresa pode ficar 50% para cada parte. Basta provar convivência e aparência de família. Isso significa dividir quotas, lucros e até perder poder de decisão dentro do negócio.

Dívidas do companheiro podem atingir o CNPJ?

Sem separação patrimonial clara, dívidas pessoais do companheiro podem alcançar bens usados na empresa. Isso inclui bloqueios, penhoras e riscos diretos ao caixa.

Imagine a seguinte história:

Você é sócio 100% de uma empresa criada durante a convivência na união estável, a outra parte faz uma dívida de R$ 300.000,00 “em benefício do casal”. Porém, não te informa. Os anos passam, a dívida cresce, chegando a R$ 500.000,00.

Então você acorda e há um bloqueio judicial de R$ 500.000,00 na conta PJ.

O advogado do banco credor trouxe uma tese de que como a empresa foi fundada durante a união estável metade das cotas empresariais seriam da parte devedora e, portanto, o bloqueio era autorizado! e, o juiz, defere o pedido.

Seu advogado afirma que rebaterá essa tese e conquistará o desbloqueio, no entanto, com a morosidade, o dinheiro fica 6 meses bloqueado

Dessa forma, o regime de bens escolhido pode colocar a sustentabilidade empresarial e apresentar uma grande ameaça para o empresário.

Dívidas da empresa podem atingir a(o) companheira(o) ?

Sim. Se houver mistura entre patrimônio pessoal e empresarial, as dívidas da empresa podem ser transferidas para a pessoa física, inclusive para a(o) companheira(o). Isso ocorre pela desconsideração da personalidade jurídica e há o entendimento que a dívida é “do casal”, podendo, inclusive, atingir bens deixados de herança para a outra parte.

No regime de bens, o patrimônio do casal é visto como um só. Nesse cenário: bloqueios, penhoras e cobranças podem alcançar bens da(o) companheira(o), mesmo que ela(e) nunca tenha participado da empresa.

A confusão patrimonial (pagar contas pessoais com a conta da empresa, por exemplo) expõe o empresário e também seu parceiro(a) às dívidas do negócio.

Apuração de haveres após rompimento da união

Em uma decisão recente do STJ, que reconheceu que cotas empresariais adquiridas durante o casamento ou união estável dão direito ao ex-companheiro não apenas sobre as próprias cotas, mas também sobre lucros e dividendos distribuídos mesmo após a separação de fato, até a apuração final dos haveres.

Na prática, passa a funcionar como um sócio do sócio, recebendo frutos da empresa sem nunca ter participado da operação, decisão que reforça o quanto empresários ficam expostos quando não estruturam separação total de bens e proteção societária adequada.

O que é união estável segundo a lei (e quando ela começa sem você perceber)

A união estável é uma relação reconhecida pela lei como família, mesmo sem casamento. Ela surge quando há convivência contínua, pública e com intenção de formar vida em comum. Não precisa de papel, cartório ou declaração.

O problema está nos critérios subjetivos. A Justiça avalia sinais do dia a dia: rotina compartilhada, viagens, apresentação social como casal, dependência financeira e até mensagens. Pequenos gestos podem ser interpretados como prova de família.

E o mais importante: morar junto não é obrigatório. Mas, se houver coabitação, isso pode ser suficiente para o juiz entender que existe união estável, mesmo que o empresário enxergue a relação apenas como namoro.

A união estável pode começar sem que o empresário perceba, e quando ela é reconhecida os efeitos patrimoniais entram automaticamente em jogo.

Como proteger o patrimônio empresarial em diferentes níveis

A proteção patrimonial do empresário funciona em camadas. Cada nível reduz um tipo de risco e cria uma barreira adicional entre a vida familiar e a empresa.

Nível Básico: Separação Total de Bens

A separação total impede que bens, lucros e quotas da empresa sejam automaticamente comunicados ao companheiro. É simples, claro e eficaz.

  • Regime de separação total formalizado
  • Definição expressa de patrimônio particular
  • Registro público para validade contra terceiros

Nível Intermediário: Contrato Social e Acordo de Sócios protegidos com estratégia jurídica

Aqui a proteção patrimonial entra no ambiente empresarial.
Mesmo com separação total, você precisa blindar a estrutura da empresa para evitar entrada e poder em decisões societárias.

  • Contrato social com cláusulas restritivas de transmissão de quotas
  • Acordo de sócios definindo voto, sucessão e limitação de acesso a lucros
  • Regras que impedem que terceiros assumam posição dentro da empresa
  • Regras sobre valuation e apuração de haveres, incluindo formas de pagamento.

Esse nível evita que conflitos familiares virem conflitos societários.

Nível Avançado: Direito Societário e Holding

É a camada de proteção completa.
A holding isola o patrimônio empresarial, facilita sucessão e reduz drasticamente os efeitos da união estável sobre o negócio.

  • Holding familiar para concentrar bens e limitar partilha direta
  • Estruturas societárias que reduzem riscos de penhora e disputas
  • Planejamento sucessório que controla quem entra na empresa
  • Estratégias jurídicas para evitar desconsideração da personalidade jurídica

É o modelo usado por empresários que querem previsibilidade, segurança e blindagem de longo prazo.

Mas atenção! Faça com um especialista! Já vi muito empresário fazendo uma holding 50% / 50% com a esposa e perdendo até patrimônio de herança. Muito cuidado!

A holding é uma ferramenta, não é a solução.

União estável de fato: como se proteger para evitar reconhecimento da comunhão de bens

Para o empresário, provar que não existe união estável é essencial para evitar partilha de bens e discussão sobre patrimônio empresarial. A regra é simples: quanto mais clara a separação entre vidas, contas e patrimônios, menor o risco.

Provas de independência financeira

A Justiça analisa se existe mistura financeira. Para afastar comunhão, é importante mostrar:

  • Cada um paga suas próprias despesas
  • Ausência de contas conjuntas
  • Não há dependência financeira entre as partes
  • Vida econômica separada

Ausência de coabitação contínua

Morar junto não é obrigatório para caracterizar união estável, mas pode reforçá-la.
Se não existe coabitação, o empresário deve registrar:

  • Endereços distintos
  • Rotinas independentes
  • Ausência de vida doméstica compartilhada

Coabitação esporádica não gera união estável.

Contratos individuais

Quanto mais individual for a vida patrimonial, melhor.

  • Contratos de aluguel ou compra em nome de cada um
  • Despesas fixas individualizadas
  • Investimentos e operações financeiras separadas

“Contrato de namoro”

Uma ferramenta simples e eficaz.

  • Não existe união estável
  • Não existe comunhão de bens
  • Cada parte mantém vida patrimonial independente

Essa declaração não impede decisões judiciais, mas cria forte presunção de autonomia e reduz risco de reconhecimento retroativo.

União estável x casamento: qual regime é mais seguro para o empresário?

Empresa adquirida/criada ANTES da união (casamento ou união estável)

Regime / SituaçãoDivide empresa?Divide lucros ?Divide valorização (valuation)?Observações críticas
Comunhão Parcial (Casamento sem pacto)NãoSimPode dividir (controvérsia jurídica – risco)Lucros entram na partilha; crescimento da empresa pode ser discutido como “esforço comum”.
Comunhão Parcial (União Estável sem contrato)NãoSimPode dividir (controvérsia jurídica – risco)Mesmos efeitos do casamento, mas com risco maior: início da união pode ser reconhecido retroativamente.
Separação Total (Casamento com pacto)NãoNãoNãoBlindagem simples e eficaz. Empresa prévia 100% protegida.
Separação Total (União Estável com contrato)NãoNãoNãoProteção igual ao casamento, mas depende da qualidade jurídica do contrato.

Empresa adquirida/criada DEPOIS da união (casamento ou união estável)

Regime / SituaçãoDivide empresa?Divide quotas empresariai?Divide lucros ?Observações críticas
Comunhão Parcial (Casamento sem pacto)SimSimSimA empresa criada durante a união é considerada bem comum. Entrará na partilha.
Comunhão Parcial (União Estável sem contrato)SimSimSimMaior risco. União pode ser reconhecida sem que o empresário perceba. Todo o patrimônio empresarial pode ser incluído.
Separação Total (Casamento com pacto)NãoNãoNãoEmpresa criada durante o casamento continua exclusiva do empresário.
Separação Total (União Estável com contrato)NãoNãoNãoEmpresa protegida, desde que o contrato seja bem redigido e registrado.

Entendimentos sobre partilha empresarial particular de cotas adquiridas antes da união

SituaçãoEntra na Partilha?
Empresa constituída antes do casamentoNÃO (regra STJ)
Valorização da empresa particular anterior Em regra, não. Risco.
Novas cotas adquiridas duranteSIM
Aumento de capital duranteSIM (se com recursos comuns)
Dividendos pagos duranteSIM (são frutos)
Lucros reinvestidosNÃO (não foram pagos)
Valorização empresarial com prova de esforço comumDEPENDE (controverso)

Quando procurar um advogado especialista em patrimônio empresarial

O empresário deve buscar um advogado especialista antes que qualquer conflito apareça. A consulta preventiva evita partilha inesperada, reconhecimento retroativo de união estável e disputas sobre a empresa. O momento ideal é sempre antes da convivência começar ou no início de um novo relacionamento, quando ainda é possível definir regras patrimoniais com tranquilidade.

Também é essencial procurar um especialista quando:

  • A empresa está crescendo, recebendo investimentos ou expandindo sociedade
  • O empresário pretende abrir nova empresa durante a união
  • Já existe convivência e não há contrato de convivência ou separação total
  • Há risco de confusão patrimonial entre vida pessoal e empresarial
  • O relacionamento terminou e existe patrimônio acumulado

Esperar o conflito aparecer torna tudo mais caro, mais demorado e mais arriscado. A prevenção é sempre mais simples, mais barata e mais eficaz.

Quer entender seu risco real? Envie uma mensagem no WhatsApp.

FAQ

Empresário perde parte da empresa na união estável?

Sim, a empresa pode entrar na partilha, especialmente se foi criada durante a união.

Namoro longo vira união estável?

Pode virar. Se houver convivência contínua, aparência de família e dependência financeira, a Justiça pode reconhecer união estável, mesmo sem intenção formal.

Empresa aberta antes da união estável entra na partilha?

A empresa não entra, mas os lucros gerados durante a união podem entrar, assim como eventual valorização discutida como “esforço comum”.

Holding protege contra união estável?

Depende. A holding cria estrutura societária, mas não substitui separação total de bens, afinal, as cotas da holding adquiridas na constância do casamento também deverão ser partilhadas.

Como provar que não existe união estável?

Com independência financeira, vida separada, contratos individuais e declarações formais registradas. A soma das provas evita reconhecimento retroativo.

Quanto custa um contrato de convivência?

Depende da complexidade. Em geral, envolve honorários do advogado e custo de registro em cartório. É muito mais barato que uma disputa judicial.

O contrato vale se o parceiro não quiser assinar?

Não. Sem assinatura de ambos, não existe contrato. Nesse caso, resta ao empresário adotar estratégias de separação patrimonial na prática e documentar tudo.

Na Herança: o companheiro entra na empresa?

Sim. Sem regras societárias e sucessórias claras, o companheiro pode herdar quotas e participar da empresa, interferindo na gestão e no controle.

Como funciona a separação total para empresários?

O patrimônio do empresário fica totalmente isolado. Empresa, lucros e valorização permanecem exclusivos, independentemente da época de aquisição.

Uniões “informais” geram direitos?

Sim. Mesmo sem morar junto, a Justiça pode reconhecer união estável se houver convivência pública, afetiva e aparência de família.